Sexta-feira, Junho 11, 2010

Anti - Teologia

Não estou levantando uma bandeira contra a teologia seja ela acadêmica, pastoral ou popular. Pelo contrário: aponto minha vasta munição contra todo pensar e construção teológica que se preocupe tanto em justificar as ações de Deus que esquece de humanizar a vida com Deus.
Há tantas pessoas: líderes eclesiásticos, pastores, teólogos, cristãos em geral que se preocupam em defender os pilares que sustentam um suposto determinismo teológico; que se preocupam na manutenção de um Deus poderoso como contraparte de um Deus amoroso, ressuscitando a discussão de séculos atrás entre Pelágio e Agostinho; que se preocupam em tradicionalismos moribundos que não fazem sentido na sociedade atual em defesa de suas ortodoxias, mas que no fundo são argumentos favoráveis ao "status quo"; como se Deus pecisasse de algum advogado de defesa.
Os que sofrem com isso são os excluídos, os pobres, as minorias perseguidas. Todos esses foram representados por Jó, que na sua dor foi acusado de estar em pecado, acusado de ter falhado com Deus. Assim como Jó,,no limiar da sua dor, procurando resposta e sentido para seu sofrimento, somos vitimados por essa Anti-Teologia que está mais preocupada em defender Deus do que defender o humano.
Ela é Anti-Teologia extamente porque quando lemos as Sagradas Letras com o olhar do excluído percebemos que, como já disse Feuerbach: "toda teologia é antropologia". 
Sim, nossas construções teológicas só serão realmente um falar de Deus quando ela for uma teologia pé-no-chão, uma teologia que se preocupa com/para o outro; uma teologia que antes de dizer quem é Deus diz quem é o homem; uma teologia que ao invés de demonizar o mundo, sacraliza-o.
Portanto nossas vozes devem se levantar contra todo discurso que desumaniza que é anti-teológico, contra todo discurso que está apenas preocupado em manter o Status Quo, afinal quando os amigos de Jó disseram que Jó estava em pecado eles traziam o discurso daqueles que eram detentores dos valores economicos, religiosos e politicos daquela época, não se preocupavam com a dor do pobre, e sim com triunfo deles.
A anti-teologia é o discurso que parece defender um Deus todo-poderoso e amoroso mas na verdade serve para calar os que se levantam com os movimentos reformistas/revolucionários na sociedade e na Igreja.
Os pobres e excluídos, os filhos de Jó, nesse momento fazem coro ao poeta da MPB : " Pai, afasta de mim esse cálice".

10 comentários:

Thiago Mendanha disse...

Expos com toda clareza e objetividade a total negligência que é a Teologia enquanto apologia e defesa de Deus em face da fragilidade e incapacidade dos que precisam de apoio, atenção e líderes que advoguem pelo bem do próximo, pelo amor e pela dignidade!

Contigo, Will! =)

Nelson Costa. disse...

Manda mais! Isso pode ser aprofundado mais ainda.

Forte abraço!

Anônimo disse...

gente que pensa no Brasil! uau

Descanso da Alma disse...

Fantástico este post, um lumiar diante de tanto fundamentalismo a um Deus aprisionado a sistemas aprisionantes.

Maravilhoso, só posso concluir dizendo...

Amém, paz e bem.

celebraii disse...

Ou seja, só existe uma chave hermenêutica absoluta: Jesus de Nazaré!

Parabéns, chará!

Abs.

Will

Peroratio disse...

Parabéns, belo texto!

Jimmy disse...

Parabéns, belo texto!

Gaby - Monja disse...

Não se pode ser antiteólogo se um não quer ser antiadorador. Teologia e Doxologia -perdão por a molestia dos nomes- vão juntas, nós semos tanto teólogos como doxólogos, somente por pensar no teos e no Logos.

Este artigo es pro-teólogo. Fica-nos só 2 opções: Ser um teologo bom ou um teologo mau. Ser um doxologo bom ou ser um mau. O criterio não é a verdade do Jesús, é a liberdade déle.

Pessoas que dialogam com Deus, pensam de Deus, acreditan coisas de Deus, atruibuiem a Deus, e finalmente opinam. Não tem que parar de fazer isso para advogar pelo bem das pessoas.

Com essa ferramenta poderiam -e muitos fazem- advogar pelas pessoas e livrá-las das prisões das doutrinas totalitárias.

Você da no alvo: De todo esso se faz uma apologética sistematizada que escraviza gente para o régimen do pensamento único, um nacionalsocialismo de Deus onde a fe comenza a ser uma svástica.

Mas para salir desso, se precisa a ferramenta pacífica do pensamento teológico, liberador, ampliador, que não feche as portas, mas que abra janelas de liberdade no todo mundo. Em nome do amor, não da verdade apologetizada.

Obrigada.
Beijos.

Marcelo Carahyba disse...

Semana passada minha mulher me disse algo interessante: que o pior castigo para o convícto equivocado é acordar do seu transe. Porque, ao acordar, se dará conta de quanto tempo perdeu, quantas besteiras falou, quantos crimes cometeu e quantas pessoas feriu. É isso que desejo para essa gente que diz amar a Deus, mas pisa no próximo - subvertendo o Evangelho e as palavras de I João 4:20-21.

Em tempo: "Todo aquele que não pratica a justiça, não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão." IJo 3:10

Abração!

Bruno Costa disse...

Você colocou ponto chave: a vida.
Esses aparatos teológicos e doutrinários estão em alta mesmo. O mundo chamado pós-moderno relativiza tudo, todos os valores e sentidos, menos o dindin, é claro. Ele precisa desse fluxo porque necessita velocidade. Por conta disso, e no meu entender de modo reacionário, alguns grupos lutam por manterem suas identidades bem definidas. Com o boom de igrejas evangélicas e sua decorrente banalização, as mais tradicionais igrejas buscam reafirmarem seus valores, talvez confunfindo isso com a sã teologia.
Hoje o mundo, e os crentes, correm como baratas tontas buscando escolher qual dos dois caminhos, ou até os dois de uma só vez.
A questão é: será que precisamos mesmo escolher? Vamos nos resumir a lado A, lado B?
Prefiro não...

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